sábado, 13 de novembro de 2010

Veja bem meu bem,

Eu senti o sangue correr rápido nas minhas veias, foi intenso e sensual. Eu sou mesmo prática pra essas coisas, você tem toda razão, não penso mesmo, não teorizo, não me culpo. Tenho essa mania de levar meus desejos a sério.

E quando você para e me olha, eu entendo que você pede por salvação. Eu sei que eu cumpro bem esse papel, mas nós dois sabemos que não dá mais. Não dá mais mesmo sendo tão bons momentos, porque mesmo sendo bons, eles tem sido cruéis com você. E tem sido comigo também. Eu gosto demais de você pra permitir que isso te faça sofrer o tanto que vejo nos seus olhos, eu entendo o peso que isso tem pra você.
A gente precisa parar. E logo.

Até porque eu continuo sentindo aquela sensação de falta que te falei no início. E eu sei que isso não é seu papel, não é você que vai preenchê-la, porque você não sabe se dividir. Pra ser franca,  eu sinto falta mesmo eram daqueles olhos que me vigiavam da esquina naquela noite estranha. Aquela noite que eu vi o passado passar por mim, e a chance de jogar os dados e mudar meu destino. Quando ficamos as sós e eu senti aquele gosto da vontade, eu consegui me controlar um segundo e pensar, pela primeira vez com ele, eu consegui pensar em mim. E preferi pegar minhas coisas e sair correndo dali. Já não tenho mais tanta certeza se eu conseguiria lidar com tudo isso de novo, tem sido mais fácil esquecer do que eu abri mão, e tentar fingir que não me importo, talvez de tanto fingir eu acabe acreditando que isso é verdade. Tô reinventando meu sentimento e tô gostando disso.


“Esse flerte é um flerte fatal.”






quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ao acaso

 Como em casulos de dimensões às vezes modestas e às vezes espaçosas, procuram (as pessoas) o pouquíssimo, o infinitesimalmente pouco que lhes é dado espreitar na alma do próximo e se confrontam com sua própria natureza de assassinos, invejosos, devassos, traidores, egoístas, mentirosos, canalhas, mesquinhos, hipócritas, adúlteros, santos neuróticos, estupradores, todos, todos, todos os que estão dentro dele  mesmo. A maior parte se ilude, acreditando que não sentiria a emoção que levaria ao pensamento e deste à ação, mas não é verdade, porque cada um é tudo isso. Cada um de nós é isso e, se nos diferençamos  na prática, devemos creditar ao acaso mais do que à deliberação o fato de nos comportamos de maneira considerada ou até elogiável.

E por isso insistem tanto em negar que estão sós e assim se transformam em fantoches de valores que lhes impuseram com indispensável violência, pois a realidade, qualquer que seja ela, da percebida à insuspeitada, da meramente física à social, não se subordina à ordem alguma, porque assim como o Bem e o Mal, a ordem é a desordem, o caos, a contradição e o vácuo de valores inventados como remédios patéticos, todos fáceis de violar e difíceis de defender, a não ser mentindo, reprimindo e transformando meros desejos em verdades.

Leitura do dia: João Ubaldo Ribeiro, Diário do farol.


     Incrível como alguns livros traduzem o que a gente pensa.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Passos conhecidos

Eu sei como pisar no coração de uma mulher

Eu sei que quando ela passa e te esnoba, que quando ela se enrola com o primeiro cara que aparece (que nós sabemos muito bem que não é o estilo dela), é só pra tentar te dizer que ela tá bem, que ela já superou tudo.

Eu sei que quando ela se arruma e prepara cada centímetro do seu corpo exatamente do jeito que você mais gosta, quando gasta horas pensando no que te agrada, e ela te jura ser por acaso, tá na cara que é por vc.

Eu sei que quando ela te chora dores de outro amor, quando abre seu coração, quando conta dos outros caras, ela quer é tentar te fazer sofrer, jogar na sua cara que ela gosta é de outro, que vc é página virada, mas a gente sabe que ela mente.

Eu sei bem que aquele sorriso que ela dá quando vcs conversam sobre sua namorada, quando ela tenta demonstrar que ela não se importa, que até se interessa, ou que tanto faz, e ela até diz que esse namoro te faz bem, ou te dá conselhos sobre isso, tá na cara que ela se mata, chora, se despedaça por dentro.

E quando ela consegue finalmente se interessar por um outro alguém, ela jogaria tudo pro alto pra voltar com você, porque ela ainda passa algumas horas lembrando do que vcs viveram, imaginando como teria sido, e quando ela sabe que naquele momento vc deve estar com outra pessoa, eu sei que o coração dela se aperta, que as lágrimas são involuntárias. Que dá uma vontade danada de rasgar o verbo, de ser tudo ou nada. Mas a vontade vai passar, porque sempre passa.

Já fui mulher, eu sei.


sábado, 9 de outubro de 2010

Diário

Todos os dias na mesma rotina. Já sei de cor o que fazer em cada instante. O relógio programado as sete só pra me dar o prazer de saber que eu posso dormir até as nove. Ou pra me angustiar de mais uma manhã perdida repondo as horas que a insônia me come de madrugada. O despertar sempre preguiçoso, sempre pesado. Nem me levanto e já abro o email, porque eu sei o que me espera todos os dias. Nem isso é surpresa mais. Até o inusitado já virou rotina. Depois o café, sempre o café, pra me acordar, pra tentar me animar. O que vestir? Um milhão de possibilidades pra uma escolha. O mundo é mesmo patético.

Almoço, ver se tem alguma coisa prática e rápida na geladeira.  Não gosto de perder meu tempo cozinhando, mas desperdiço horas fazendo nada que preste. A gente realmente não valoriza o importante. Na sequência, o trabalho. Sempre atrasada. Crianças. E tudo de novo: substituição dos professores cansados demais pra ir trabalhar, ou folgados demais pra isso. Queria gritar na orelha deles: Vão à merda raça preguiçosa e covarde. Mas pra mim não importa, a função continua. Depois a faculdade. Mais uma aula que sei que não vou me interessar, não vou prestar atenção. Só olho o relógio, com a ilusão de que venha algo melhor. Mas não vem, e eu sei disso. Nos dias bons, ainda consigo dar uma escapada das aulas e tomar uma cerveja. E é só nesses momentos que esqueço dessa desgraça. Amizade realmente tem esse poder de aliviar umas dores.

E por fim, banho e cama. Cama, mas não sono. Sei que meus fantasmas não me tem deixado dormir. Eles tem me assombrado e me posto um medo danado. Medo de não aguentar mais isso. Medo de não querer acordar.

Tô suplicando pra que algo de novo me tire desse marasmo. Sou velha demais pra ter ilusões, mas nova demais pra me acomodar com essa vida. Dou conselhos que nem eu sigo, choro lágrimas sem vida, não tenho fé em nada mais. “Minha alucinação é suportar o dia a  dia”. Estampo um sorriso enferrujado. Digo que sim por preguiça de dizer que não. De ter que dar motivos, explicações. E eu não sei o que fazer com essa sensação. As pessoas ditas felizes, são felizes porque são acomodadas com o pouco que tem, são realmente alheias ao sofrimento e a dor ou são agraciadas com essa coisa chamada tolerância? 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O vazio no meu peito tem nome

Deus, vamos fazer uma troca?

Leva o que quiser de mim, mas me devolve o Davi?


"Saudade é o pior castigo"

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Nada por mim

Não consigo falar sobre tantas coisas. Não quero parecer mais fraca e mais dependente do que já sou. Me incomoda colocar atos e sentimentos em palavras. Se as pessoas precisam delas pra entender o meu jeito, é porque elas não são tão importantes. Não quero que precise de uma bola de cristal pra saber o que penso. Não sou tão complicada assim. Acho que um tempo que você gastar pra olhar pra mim, já é suficientemente longo pra me entender.

As pessoas precisam aprender que ninguém está jogando sempre com cartas marcadas. Tem a possibilidade sim, de ser sem querer, sem propósito. E não é porque dormi com você, que as coisas se tornam mais fáceis, mais óbvias. Tem dias que a única coisa que quero é realmente não saber de nada. Não medir nenhuma conseqüência, só usar daquilo que ainda posso. Não me cobre explicações, não me cobre motivos. Simplesmente aconteceu. Como acontecem tantas outras coisas por aí. Mas não me julgue por isso. Não se dê ao trabalho de se apaixonar. Não perca seu tempo planejando alguma coisa. Nem me condene à fogueira das vaidades. Somos todos assim. Desesperados atrás de alguma satisfação, de alimentar algum monstro, algum vício. De viver tudo da forma mais intensa, mais enganadora, mais prazerosa. Mas tudo isso tem que ser feito antes de acordar, antes da ressaca, de passar o efeito, antes daquele momento de angústia que sempre vem depois, tudo isso antes do cigarro, ou do cochilo depois do gozo. Porque aí já é tarde demais. Você sabe que pra mim é difícil aguentar esperar até amanhecer. Eu preciso pegar minhas coisas e ir embora logo. Porque vem a segunda-feira, vem o trabalho, vem a chatice do dia a dia. E a impressão que fica, é que uma noite é sempre pouca demais pra aliviar tanta pressão.

E o tempo me trouxe essa angústia, esse monstro que tenho que lutar todos os dias pra conseguir sair de casa. Não consigo mais ser espontânea, nem ser sonhadora. Você levou isso de mim há algum tempo. E não se deu ao trabalho de por outra coisa no lugar. Simplesmente saiu deixando a bagunça toda pra eu arrumar. Não se deu ao trabalho de saber como que as coisas ficarão pra mim.  Foi atrás de outra alma, de sangue novo pra tentar te satisfazer. Não te condeno. Eu faria isso também se eu pudesse. Mas eu caí na armadilha de achar que isso é que é a realidade. Só fico me perguntando se pra mim, alguma coisa ficou. 



"Inferno, apenas há um. Não são os outros. Sou eu mesmo."

domingo, 19 de setembro de 2010

Ternura


Hoje ganhei poesia de um amigo. Mais uma dose diária que ele vem me dando de carinho e afeto.
Que bom que ainda tem gente boa perto de mim. Alegrando meu coração.

A Fera e a fera
Sempre achei que era forte
Mas naquela noite perdi meu norte
Por sorte não saio ferido
Por sorte não fiquei perdido
Tudo pela sedução do proibido

Maldita seja essa fera
e seu ímpeto que me impera
Quando eu vi, "já era"!
Tarde demais...
Tarde demais pra voltar a ser um bom rapaz
Já não sou mais quem eu achava que era

Tontura
Loucura
Carne nua!
Tortura
Ternura
Já era!
De mim, só restou a fera...